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Caro amigo, esta é a edição n. 0
(zero!) de minha newsletter mensal. Se
você está lendo esta mensagem, é porque
já me correspondi com você
anteriormente e mantive registro de seu
endereço. Você pode dar "unsubscribe"
abaixo, mas peço que fique! Uma vez por
mês trarei para você uma palavra, uma
emoção, um pensamento, uma descoberta.
Para a vida ser mais singular e
prazerosa.
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Se eu luto contra meu Ego, e
venço — deveria ficar
envaidecido?
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RESENHA — O Lobo
Num mundo de cada vez maior
complexidade, torna-se mais
encantadora a presença deste novo
romance nas vitrines: o mais que
simples título O
lobo, de um autor com o
nome mais que comum de Joseph
Smith — uma espécie de José da
Silva em inglês.
A Editora Objetiva, por meio
de seu selo Alfaguara,
está de parabéns por todo o
trabalho de produção deste
volume. A
tradução de Adalgisa Campos
da Silva é excelente.
A edição arrisca inserindo
figuras em um título adulto,
mas é muito bem-sucedida com
suas ilustrações sóbrias e
pertinentes.
Encontrei este livro no meu
passeio pela Bienal do Livro
de São Paulo, em 2012. Devo
ter compulsado dezenas de
livros de ficção e este foi o
único que comprei.
É
difícil encontrar aquilo que
foge do ramerrão ou das
invenções inócuas. Mas
O
lobo já atrai pelo
primeiro parágrafo:
Lá de dentro da floresta, à
minha frente, eu posso
ouvir um rangido de patas
na neve. Tudo o mais está
quieto. Estou em pé, com a
cabeça envolta na nuvem
formada pelo meu bafo no ar
frio, imóvel, só escutando,
sem enxergar nada a não ser
o chão branco e os troncos
escuros e pontiagudos das
árvores. Farejo a fera. Seu
cheiro, marcante e intenso,
sobe dos odores mais leves
do mato e me seduz, me
atrai até ela. A fera não
pode estar longe, mas as
árvores aqui crescem em
tanta densidade que não
consigo vê-la, e então
avanço pisando de leve por
entre as árvores, pulando
por cima de galhos caídos,
tão de mansinho que só um
camundongo dormindo na toca
embaixo de onde minhas
patas encostam poderia
abrir um olho para logo
fechá-lo enquanto
passo.
Sem nenhuma apresentação,
somos lançados direto à ação,
e vamos aos poucos deduzindo
quem é esse narrador, onde
ele está, quais os seus
problemas. O ritmo das frases
é fascinante, e conduz a uma
leitura
intensa e imaginativa,
na qual cada palavra é útil
para nos revelar uma pista do
seu universo.
Uma grande conquista desse
romance é a forma como o
autor resolveu o problema de
expressar as relações e as
comunicações entre os
animais. Com sua escritura de
grande precisão e técnica,
elaborou de forma convincente
o canal do olhar:
pelo olhar os personagens
revelam — ou tentam ocultar —
suas intenções, seus medos,
seus desejos. Com esse
artifício, a história sai do
plano do mero relato e chega
a um patamar carregado de
dramaticidade.
Sou o lobo, o ceifador de
vidas: o predador. Ataco de
olhos abertos e vejo a
morte luminosa e feroz
pular no olhar da minha
presa. Sou o lobo, a sombra
que traz a luz da morte, a
vida que concede a
liberdade aos rebanhos
temerosos e lutadores e que
põe fim ao sofrimento dos
fracos.
Como é de se esperar, vemos
na vida e nas peripécias do
lobo e dos personagens à sua
volta muitas das situações
que envolvem nossas próprias
vidas. Com isso, temos
uma leitura ao mesmo tempo
emocionante e pessoalmente
valiosa.
Prefiro me refrear nos
comentários para não fazer
revelações que podem estragar
o prazer de quem for ler.
Recomendo o livro a todos os
que gostam de boa literatura.
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O documentário sobre a
realização de um filme
hipotético é um
making-if.
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REFLEXÃO
Tempo e
Memória
Quando pequeno, surpreendiam-me os
relatos de pais e tios mais velhos
sobre um mundo sem televisão e
produtos industrializados. Era na
minha percepção um mundo em sépia,
lento, esquisito e profundamente
remoto: “trinta anos atrás” tinha uma
semelhança curiosa com “há um milhão
de anos”.
Hoje a molecada não entende o que é
um vinil e imagina nossa irrestrita
infelicidade por termos crescido sem
celular e internet. Mas não é o que
sentimos. Nossa adolescência também
era movimentada e intrigante,
vivíamos no tempo mais moderno que já
havia existido.
O engraçado de nossas lembranças é
que elas não são desbotadas ou em
preto e branco como as fotografias
que guardamos das mesmas épocas.
Podem ser confusas, curtas, quase
esquecidas, mas mesmo aquela única
imagem distante ainda preservada na
memória nós a enxergamos com o mesmo
brilho que os fatos presentes nos dão
neste exato segundo.
Assim, temos certeza de que “há
trinta anos” faz só um instante.
Aquela bolinha de gude que acertei
com força no grandão malvado da minha
rua voou agora há pouco, eu já era
formado, casado e órfão de pai.
Envelhecemos por acúmulo de
experiência e tudo aquilo que vivemos
se sedimenta no Homem, que em seu
presente constante tenta, com todo o
otimismo necessário para a
existência, agregar à sua vida também
aquela carga de sonhos, imagens do
futuro que ele tem a expectativa de
fazer entrar para seu depósito de
recordações.
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Síntese das Ideias
Em seus textos,
Paulo
Santoro procura fazer uma
síntese das grandes ideias que movem o
ser humano. Foca no desenvolvimento de
personagens únicas, mas que refletem os
desesperos — e as esperanças —
guardados dentro de cada um de
nós.
Formado em Letras pela
USP, é escritor e criador de jogos. Sua
estreia no Teatro deu-se em 2004 com a
peça
O canto de Gregório, dirigida
por Antunes Filho.
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Depoimento
Há algo
de elegante na linguagem de Paulo
Santoro, uma elegância objetiva como a de
Kafka, na qual o feroz aparece sem que a
gente se suje. No entanto, de repente
estamos com os pés
enlameados.
Silvia Gomez, dramaturga
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Novo
site
Em breve será
lançado o novo
site de Paulo
Santoro,
construído do
zero por um
pessoal de
primeira linha!
Nele virá o
novíssimo blog,
informações
sobre eventos,
textos antigos
e inéditos e
muito
mais.
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Novo
livro
O livro
A TEMPERATURA E
A MATEMÁTICA
DOS
SONHOS
(Ciência
Fictícia) será
lançado em
breve. Leia as
primeiras
informações e
bastidores na
próxima
newsletter!
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LINHA DIRETA COM O
AUTOR
Paulo
Santoro
www.paulosantoro.com
santoro.paulo@gmail.com
(11)
9-8848-2002
Endereço postal
Rua
Schilling, 134, casa 3
São
Paulo (SP) CEP 05302-000
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