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Caro amigo! Esta primeira
edição da newsletter vem para
marcar o lançamento do
novo site:
Um dos leitores irá
ganhar um exemplar
autografado de PLAY, de
Ricardo Silvestrin. Veja abaixo a
resenha que escrevi sobre esse ótimo
livro de contos, e no final as
instruções para
participar.
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Você fica mais adorável
quando demonstra uma
fraqueza.
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RESENHA — Play
A
imaginação voltou
Gosto de fazer prospecção
nas livrarias atrás de
frases e parágrafos, quem
sabe encontro uma novidade
de porte.
Folheei Play
sem motivo algum: a capa é
boa e elegante, mas não
especialmente atrativa. E
eu não conhecia o autor
Ricardo
Silvestrin, apesar
de orelhas e prefácios
afirmarem que ele já era
"bem conhecido" por suas
poesias e por publicações
para o público
infantil.
Chegou ao público adulto em
boa hora.
Incensar autor
recém-lançado é uma jogada
de risco, mas tenho aqui
pra mim que ganho a aposta.
A literatura brasileira
estava parada desde os anos
70, quando foram publicados
A hora
da estrela,
Lavoura
arcaica e
O
cobrador.
[Para afirmar isso, fucei
neurônios e prateleiras e
infelizmente não achei
nada. De repente faltou me
indicarem alguma coisa, se
alguém lembrar por favor me
escreva.]
Passados trinta anos, aí
está um autor com muitos
talentos. Ele tem escrita,
imaginação e pulso. Está
antenado: como artista sabe
que precisa ser profundo,
como homem do século XXI
sabe que precisa comunicar
rápido.
Foi como me laçou na
livraria. Em cinco linhas
já disse cinquenta páginas
— lança-nos num universo
diferente sem explicar
nada, a gente que se vire.
Olhe este comecinho de
conto:
O rei já foi bem claro.
Qualquer suspeita de
traição será resolvida de
uma maneira bem simples.
O acusado será jogado aos
leões. Dou carne aos
leões. Trato-os todos os
dias com braços, pernas,
cabeças e um pouco de
água.
Que rei? Que leões? Quando?
Onde? Quem poderia trair?
Amigo, estamos em 2008, não
dá tempo de ficar falando
coisas óbvias... é um rei,
ora! Tanto faz de onde,
tanto faz quando. Se alguém
o trair, será jogado aos
leões. É tudo o que você
precisa saber para
prosseguir na leitura desse
conto surpreendente.
Os temas de Silvestrin
revelam o autor e, às
vezes, revelam também o
leitor. Eu não conhecia o
Silvestrin, mas o danado me
conhecia. Vá ver se ele já
não conhece você
também.
Não tenham receio,
Silvestrin não é bêbado,
não é escritor de
guardanapo, não é amigo da
garotada. É crítico, não
revoltado. É inteligente,
não esperto. Tem postura,
não pose. Tem imaginação,
não alucinação. Domina as
ferramentas narrativas e
idiomáticas, sabendo o
momento e o modo de
subvertê-las.
Isto não é resenha para
contar as coisas que
acontecem nas histórias,
até porque quase todos os
contos são bem curtos e já
já este texto fica maior
que alguns deles. Somente
quero ter o gosto de
apontar alguns dos títulos.
Em minha leitura, os contos
mais expressivos são "Preto
no preto", "Leões" e
"Play", embora sejam de
primeira linha os rápidos
"O filme", "Conversação" e
"Gaiolas".
Que bom para nós que ele é
brasileiro e escreve em
português. Que pena para
ele.
[Publicado inicialmente em
2008.]
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Parece que
sábio é aquele que aprendeu
bastante, e depois foi
cuidadosamente
desaprendendo.
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FICÇÃO
Infância
Eram dois
meninos se xingando, dois pares de
ódios se encarando. Os outros meninos
foram atraídos pelos gritos de luta
promissora e fizeram em volta deles
um círculo de entusiasmo. De repente
estava peito contra peito, oito
membros se esfregando, uma violência
que até parecia amor.
Um garoto sobressaiu da turba e
aproveitou um momento de desenlace
dos lutadores para intrometer-se
entre eles. Porém, não havendo gongo,
ambos ignoraram a presença desse
árbitro e voltaram a se chocar, agora
mais estimulados pelos torcedores,
que não ousavam deixar a plateia para
partir em auxílio de seus
preferidos.
Desequilibrado, o garoto misturou-se
de volta à massa. Mas ato contínuo
destacou-se dela novamente e, com o
olhar selvagem que destoava de um
suspiro compassivo, avançou outra vez
contra os meninos, os braços com
força conseguindo separá-los,
enquanto gritava palavras de mãe e
pai.
Desta vez os lutadores perceberam o
pacificador. Um deles o reprovou com
a fúria de quem parecia estar
assinalando um novo adversário. O
outro pareceu conceder-lhe uma
gratidão ofegante. Mas bem depressa
três ou quatro espectadores avançaram
contra o garoto e o agarraram e o
repuseram na massa, para o
entretenimento continuar.
Submisso, o garoto livrou-se do grupo
e preferiu afastar-se da barbárie,
caminhando com leveza pelo pátio. Em
um minuto já não ouvia os bramidos.
Do lado oposto ao da luta, meninas
brincavam correndo, dando gritinhos
estridentes. Marcelo, uma criança
mais nova, rabiscava a parede com
giz. Juliano, que já estava na oitava
série, mostrava uma a uma suas
figurinhas, explicando-as para dois
ouvintes. Luís Carlos e Mariana
apenas conversavam, a uma distância
povoadíssima, ainda ignorantes da
palavra flerte. Gustavo tomava um
copo de leite, pensando na morte da
bezerra.
Agora calmo, o garoto pôs a mão no
bolso. Apanhou três cubos rígidos.
Sentou-se à bancada da merenda e
começou a jogar dados com o
Universo.
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Paulo
Santoro escreve
ficção
para o leitor que
pensa. Seu primeiro
espetáculo a entortar cérebros
foi
O canto de Gregório, dirigido por
Antunes Filho. Seus textos desafiam
as fronteiras da lógica para fazer
uma síntese
das
grandes ideias que movem o ser
humano.
Outros três textos de sua autoria já
foram levados aos palcos. Teve duas
peças publicadas em livro pelo
Sesc de São
Paulo e participou da equipe de
roteiristas da série
Sessão de Terapia, exibida pelo
canal GNT com direção de Selton
Mello.
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Depoimento
Há algo
de elegante na linguagem de Paulo
Santoro, uma elegância objetiva como a de
Kafka, na qual o feroz aparece sem que a
gente se suje. No entanto, de repente
estamos com os pés
enlameados.
Silvia Gomez, dramaturga
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Ganhe
PLAY
autografado!
Um de nossos
leitores
receberá pelo
correio, em
qualquer lugar
do Brasil, um
exemplar do
livro
PLAY
autografado
pelo próprio
autor, Ricardo
Silvestrin.
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Vencedores
de O
LOBO
Na promoção de
2 exemplares do
romance
O LOBO,
os vencedores
foram Tiago Ali
Oliveira Bueno
e Fabio Banin.
Ambos receberão
em casa um
exemplar desse
ótimo romance,
que foi
resenhado na
newsletter
n.
0.
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Novo
romance!
A partir da
próxima edição,
os assinantes
da newsletter
começarão a ter
acesso à
publicação
online do
romance
A Elite
Luggnagg,
de Paulo
Santoro, sobre
um cientista
brasileiro que
descobriu a
fórmula para a
grande
longevidade e
poderá fazer as
pessoas viverem
mais de 1.000
anos!
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