Assunto: ✏ Paulo Santoro, n. 1 — Síntese de ideias

Paulo Santoro está chegando com livros, teatro e seu novo site.
Esta é a edição n. 1 de sua newsletter mensal.
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Caro amigo! Esta primeira edição da newsletter vem para marcar o lançamento do novo site:


Um dos leitores irá ganhar um exemplar autografado de PLAY, de Ricardo Silvestrin. Veja abaixo a resenha que escrevi sobre esse ótimo livro de contos, e no final as instruções para participar.
Você fica mais adorável quando demonstra uma fraqueza.

RESENHA — Play

A imaginação voltou

Gosto de fazer prospecção nas livrarias atrás de frases e parágrafos, quem sabe encontro uma novidade de porte.

Folheei Play sem motivo algum: a capa é boa e elegante, mas não especialmente atrativa. E eu não conhecia o autor Ricardo Silvestrin, apesar de orelhas e prefácios afirmarem que ele já era "bem conhecido" por suas poesias e por publicações para o público infantil.

Chegou ao público adulto em boa hora.

Incensar autor recém-lançado é uma jogada de risco, mas tenho aqui pra mim que ganho a aposta. A literatura brasileira estava parada desde os anos 70, quando foram publicados A hora da estrela, Lavoura arcaica e O cobrador.

[Para afirmar isso, fucei neurônios e prateleiras e infelizmente não achei nada. De repente faltou me indicarem alguma coisa, se alguém lembrar por favor me escreva.]

Passados trinta anos, aí está um autor com muitos talentos. Ele tem escrita, imaginação e pulso. Está antenado: como artista sabe que precisa ser profundo, como homem do século XXI sabe que precisa comunicar rápido.

Foi como me laçou na livraria. Em cinco linhas já disse cinquenta páginas — lança-nos num universo diferente sem explicar nada, a gente que se vire. Olhe este comecinho de conto:

O rei já foi bem claro. Qualquer suspeita de traição será resolvida de uma maneira bem simples. O acusado será jogado aos leões. Dou carne aos leões. Trato-os todos os dias com braços, pernas, cabeças e um pouco de água.

Que rei? Que leões? Quando? Onde? Quem poderia trair? Amigo, estamos em 2008, não dá tempo de ficar falando coisas óbvias... é um rei, ora! Tanto faz de onde, tanto faz quando. Se alguém o trair, será jogado aos leões. É tudo o que você precisa saber para prosseguir na leitura desse conto surpreendente.

Os temas de Silvestrin revelam o autor e, às vezes, revelam também o leitor. Eu não conhecia o Silvestrin, mas o danado me conhecia. Vá ver se ele já não conhece você também.

Não tenham receio, Silvestrin não é bêbado, não é escritor de guardanapo, não é amigo da garotada. É crítico, não revoltado. É inteligente, não esperto. Tem postura, não pose. Tem imaginação, não alucinação. Domina as ferramentas narrativas e idiomáticas, sabendo o momento e o modo de subvertê-las.

Isto não é resenha para contar as coisas que acontecem nas histórias, até porque quase todos os contos são bem curtos e já já este texto fica maior que alguns deles. Somente quero ter o gosto de apontar alguns dos títulos. Em minha leitura, os contos mais expressivos são "Preto no preto", "Leões" e "Play", embora sejam de primeira linha os rápidos "O filme", "Conversação" e "Gaiolas".

Que bom para nós que ele é brasileiro e escreve em português. Que pena para ele.

[Publicado inicialmente em 2008.]
Parece que sábio é aquele que aprendeu bastante, e depois foi cuidadosamente desaprendendo.
FICÇÃO
Infância

Eram dois meninos se xingando, dois pares de ódios se encarando. Os outros meninos foram atraídos pelos gritos de luta promissora e fizeram em volta deles um círculo de entusiasmo. De repente estava peito contra peito, oito membros se esfregando, uma violência que até parecia amor.

Um garoto sobressaiu da turba e aproveitou um momento de desenlace dos lutadores para intrometer-se entre eles. Porém, não havendo gongo, ambos ignoraram a presença desse árbitro e voltaram a se chocar, agora mais estimulados pelos torcedores, que não ousavam deixar a plateia para partir em auxílio de seus preferidos.

Desequilibrado, o garoto misturou-se de volta à massa. Mas ato contínuo destacou-se dela novamente e, com o olhar selvagem que destoava de um suspiro compassivo, avançou outra vez contra os meninos, os braços com força conseguindo separá-los, enquanto gritava palavras de mãe e pai.

Desta vez os lutadores perceberam o pacificador. Um deles o reprovou com a fúria de quem parecia estar assinalando um novo adversário. O outro pareceu conceder-lhe uma gratidão ofegante. Mas bem depressa três ou quatro espectadores avançaram contra o garoto e o agarraram e o repuseram na massa, para o entretenimento continuar.

Submisso, o garoto livrou-se do grupo e preferiu afastar-se da barbárie, caminhando com leveza pelo pátio. Em um minuto já não ouvia os bramidos. Do lado oposto ao da luta, meninas brincavam correndo, dando gritinhos estridentes. Marcelo, uma criança mais nova, rabiscava a parede com giz. Juliano, que já estava na oitava série, mostrava uma a uma suas figurinhas, explicando-as para dois ouvintes. Luís Carlos e Mariana apenas conversavam, a uma distância povoadíssima, ainda ignorantes da palavra flerte. Gustavo tomava um copo de leite, pensando na morte da bezerra.

Agora calmo, o garoto pôs a mão no bolso. Apanhou três cubos rígidos. Sentou-se à bancada da merenda e começou a jogar dados com o Universo.
O AUTOR
Paulo Santoro escreve ficção para o leitor que pensa. Seu primeiro espetáculo a entortar cérebros foi O canto de Gregório, dirigido por Antunes Filho. Seus textos desafiam as fronteiras da lógica para fazer uma síntese das grandes ideias que movem o ser humano.

Outros três textos de sua autoria já foram levados aos palcos. Teve duas peças publicadas em livro pelo Sesc de São Paulo e participou da equipe de roteiristas da série Sessão de Terapia, exibida pelo canal GNT com direção de Selton Mello. 
Depoimento

Há algo de elegante na linguagem de Paulo Santoro, uma elegância objetiva como a de Kafka, na qual o feroz aparece sem que a gente se suje. No entanto, de repente estamos com os pés enlameados.

Silvia Gomez, dramaturga
Ganhe PLAY autografado!

Um de nossos leitores receberá pelo correio, em qualquer lugar do Brasil, um exemplar do livro PLAY autografado pelo próprio autor, Ricardo Silvestrin.
Para concorrer no sorteio, você só precisa ir até este post do meu blog e deixar um comentário!
Vencedores de O LOBO

Na promoção de 2 exemplares do romance O LOBO, os vencedores foram Tiago Ali Oliveira Bueno e Fabio Banin. Ambos receberão em casa um exemplar desse ótimo romance, que foi resenhado na newsletter n. 0.
Novo romance!

A partir da próxima edição, os assinantes da newsletter começarão a ter acesso à publicação online do romance A Elite Luggnagg, de Paulo Santoro, sobre um cientista brasileiro que descobriu a fórmula para a grande longevidade e poderá fazer as pessoas viverem mais de 1.000 anos!
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