Assunto: Fabula online, ou uma historinha dos amigos do facebook

Esta é a edição n. 11 do correio mensal de Paulo Santoro.
Peça para o programa EXIBIR IMAGENS, ou clique aqui para ver online.
Boa tarde, amigos!

Ainda tento compreender as razões de estarmos vivendo uma época em que as pessoas marcam posição de forma tão aguerrida. A "Fábula online" que escrevi dias atrás é decorrente dessa reflexão.

Precisamos ter informação política e posicionamento, sem dúvida. Porém a democracia garante nossa liberdade, e ela pressupõe nossa tolerância com pensamentos distintos.

Por isso, tenho feito questão de manter alguma proximidade com pessoas que pensam bem diferente de mim. Não preciso entrar em debate a cada cinco minutos sobre os tópicos divergentes, mas pelo menos é uma demonstração da convivência possível.

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"Memento mori" (Lembre-se de que vai morrer). Esta frase teria sido dita por um escravo a um imperador romano que desfilava em glória pelas ruas. Na circunstância, um duro golpe de palavras.

Os cemitérios também externam o tétrico prazer de nos lembrar de nossa mortalidade quando já estamos, de todo modo, bem diante da morte: "És o que fomos, serás o que somos", exibem alguns. Ou, como na célebre inscrição da Capela dos Ossos de Évora, em Portugal: "Nós, ossos que aqui estamos, pelos vossos esperamos".

O destino dos ossos nós já conhecemos, mas e o das almas? Será diferente?

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Neste link você encontra uma bela carta escrita por Fernando Pessoa. Nela ele fala sobre algumas de suas poesias, suas dúvidas e explica como surgiram seus principais heterônimos.

Para quem não sabe, ou não se recorda, Fernando Pessoa escreveu longas obras que ele atribuía a poetas fictícios, cuja vida e história ele criava também. Esses poetas têm estilos muito diferentes.

Meu preferido sempre foi o "ortônimo", ou "ele-mesmo", quer dizer, os poemas que ele assinava como Fernando Pessoa. Dentre os heterônimos, meu preferido é Alberto Caeiro. 

Por que não tirar 15 minutos da sua noite para ler esta carta tão bonita, e quem sabe ainda ler alguns dos melhores poemas de Pessoa nesta página aqui

A realidade tem mil tons de cinza. [historemas.com]
BREVIDADES

Fábula online
Os dois se conheceram no facebook.

Eram homens de 30 anos, formados no mesmo curso universitário. Ambos corintianos e com os mesmos hobbies: montar quebra-cabeças e saltar de paraquedas.

Os dois votavam no mesmo partido. Eram brancos, heterossexuais e a favor do aborto. Nenhum deles fumava, apenas bebiam socialmente. Cerveja, mas não destilados.

Um gostava de rock inglês e MPB, o outro também. O primeiro odiava molho branco, assim como o segundo.

Os dois eram contrários à pena de morte, favoráveis a Belo Monte, favoráveis às cotas, contrários a redução da maioridade penal.

Paulistanos, casados, de classe média, adeptos de ginástica, mas amantes de chocolate. Os dois gostavam de Breaking Bad e detestavam Game of Thrones. Assistiam filmes de ação, mas não comédias.

Um postou que sua cor preferida era o azul. O outro comentou que gostava mais do amarelo.

Ficaram inimigos mortais.


Oh, tempos! Oh, costumes!
Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases:

1) 'Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus.'

2) 'Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.'

3) 'Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.'

4) 'Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura.'

Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.

Então, revelou a origem delas:

- A primeira é de Sócrates (470-399 a.C .)
- A segunda é de Hesíodo (720 a.C.)
- A terceira é de um sacerdote do ano 2.000 a.C.
- E a quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da
Babilônia (Atual Bagdá) e tem mais de 4.000 anos de existência.

[Texto que vi na internet há alguns anos, sem anotação de autoria.]

Numa fila, o maior problema não é ter muita gente na sua frente. O maior problema é nunca entrar ninguém atrás.
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O AUTOR
Paulo Santoro é escritor, dramaturgo e criador de jogos.

Sua estreia no Teatro aconteceu em 2004, com a peça O canto de Gregório, que foi dirigida por Antunes Filho com o Grupo de Teatro Macunaíma. Este espetáculo foi posteriormente remontado pelo Grupo Magiluth.

Também no Teatro, foi autor de A mulher que ri, Plínio contra as estrelas e Carina está viva. Sua peça O fim de todos os milagres, ainda inédita no palco, foi publicada em português e espanhol.

Lançará em 2015 seu primeiro romance, A vida longa dos vermes.
Jogo de tabuleiro

Em 2012, foi publicado meu jogo de tabuleiro Deterrence, que tematiza a corrida armamentista durante a Guerra Fria. Eu o transformei em um novo jogo, que usa apenas cartas, e será lançado em breve como Deterrence 2X62. Mais novidades em breve!
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