Assunto: [Do Paulo] As redes sociais e algumas historinhas

Esta é a edição n. 12 do correio mensal de Paulo Santoro.
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Boa tarde, amigos!

Eu tenho cautelosamente diminuído minha presença nas redes sociais, mas vocês sempre conseguem falar comigo se desejarem!

Sabe, sempre aconteceu muita coisa bacana na internet: troca de ideias, de ajudas... amigos virtuais que se tornaram reais, amigos reais que tiveram que se afastar mas que se mantiveram como amigos virtuais... já faz praticamente 20 anos que acesso a internet e tento não deixar mensagem sem resposta.

Uma das melhores práticas que podemos ter é participar de fóruns e comunidades sobre nossos assuntos preferidos. Lá podemos ajudar e ser ajudados. No final, é uma talvez imperceptível prática de socialização cuja moeda é o conhecimento.

O Facebook eu tenho usado mais para me comunicar com as pessoas. Infelizmente não é uma ferramenta que se preste ao debate. Há muita radicalização e tudo se nivela por baixo. Por isso, acompanho pouco e não entro mais em polêmica. Tenho certeza de que temos coisa melhor a fazer com o nosso tempo.

Daí vem essa analogia crítica perfeita que Umberto Eco fez recentemente, numa entrevista para uma revista portuguesa:

"Uma orquestra organizada pode tocar uma sinfonia, mas dois mil instrumentos juntos só fazem barulho."

***

Também quero fazer uma citação de Monteiro Lobato:

"Originalidade marcada, só nos homens da roça que não leem jornais. Ideias próprias, pontos de vista únicos, personalíssimos, e a sublime coragem do pitoresco mental.

Nas cidades grandes o jornal ingerido pela manhã desoriginaliza, bota-nos a todos bitolados pela mesma regra de pensar.

A opinião pública só existe nos lugarejos. Nas capitais desaparece substituída pela opinião que se publica."

Este trecho está no livro "Mundo da Lua e Miscelânea", publicado há quase 100 anos. 

***

Abaixo compartilho com vocês algumas histórias que podem entrar num livro futuro. :-)

Andam dizendo que o certo é sempre certo, mesmo que ninguém faça e que o errado é sempre errado, mesmo que todos façam. Agora só falta explicar como faz para distinguir.
BREVIDADES

Sonhei com uma mulher velha, gorda e doente. Sabia que ela existia. Morava numa casa meio pobre. Tinha uma televisão ligada diante dela, mas ela não acompanhava as cenas. Quando acompanhava, não entendia. Quando entendia, não refletia sobre o assunto. Quando refletia, não chegava a nenhuma conclusão. Quando chegava a uma conclusão, não tomava nenhuma atitude por causa disso. Quando tomava uma atitude, ninguém percebia.

A televisão estava ligada, e ela orava. No sonho, eu podia enxergar seu cérebro. Eu via cada uma das milhões de sinapses piscando em seu tempo e sua hora. Só que as sinapses não eram sinapses, eram fadas que cantavam. E a oração não era oração, era a história do mundo. Ela ia fazendo Deus se lembrar de suas melhores intenções. Fazia Deus se lembrar de como ele era no passado, tão Criador de coisas boas. Tentava desesperadamente trazer Deus de volta à razão.


***

Por que você não conseguiu o emprego, perguntei ao rapaz.
A culpa é minha, ele disse.
Por que a sua namorada te largou?
A culpa é minha.
Por que não está mais tocando na banda?
A culpa é minha.
Por que você insiste em não se vitimizar?
Mas claro que me vitimizo. Sou uma imensa vítima de mim mesmo.

***

Eu estou escrevendo um livro sobre todas as histórias que existem, expliquei, por isso preciso saber a sua.

Então ela me contou que seu pai tinha morrido quando ela tinha dez anos. Que sua mãe precisou se prostituir para ela poder terminar seus estudos. Que seu irmão tinha batido em um namorado dela.

Mas, por favor, ela pediu, conte isso num tom dramático. Não foi tão engraçado quanto parece.


Conheci um comediante que não contava suas piadas para ninguém.
— São para uso próprio — ele explicou. — Faço humor de subsistência.
VLOG
MEUS VÍDEOS

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O AUTOR
Paulo Santoro é escritor, dramaturgo e criador de jogos.

Sua estreia no Teatro aconteceu em 2004, com a peça O canto de Gregório, que foi dirigida por Antunes Filho com o Grupo de Teatro Macunaíma. Este espetáculo foi posteriormente remontado pelo Grupo Magiluth.

Também no Teatro, foi autor de A mulher que ri, Plínio contra as estrelas e Carina está viva. Sua peça O fim de todos os milagres, ainda inédita no palco, foi publicada em português e espanhol.

Lançará em 2015 seu primeiro romance, A vida longa dos vermes.
PALESTRAS

Em setembro e novembro darei palestras nas Fábricas de Cultura que ficam na Zona Leste de São Paulo. Falarei sobre "O jogo de descobrir seu livro", uma proposta de estímulo à leitura para jovens. Em setembro serão nos dias 3 e 17. Em breve mais informações neste link.
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