Título: Mensagem do autor Paulo Santoro, n. 2

Paulo Santoro está chegando com livros, teatro e seu novo site.
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Caro amigo! Esta edição da newsletter traz em primeira mão o prólogo do meu primeiro romance, A Elite Luggnagg!

Aqui você também lerá uma breve resenha sobre o imperdível livro Davi e Golias, de Malcolm Gladwell, que desmistifica muitos lugares-comuns nos quais costumamos confiar. Uma leitura que me ensinou bastante coisa, por isso compartilho para que todos possam aprender também!

Um dos leitores irá ganhar o ótimo livro Bartleby, o escrivão, de Herman Melville, em edição que vem com apresentação de Jorge Luis Borges. Veja no final as instruções para participar.
O Homem é o único animal que critica a si mesmo como espécie.

Golias? O favorito era Davi!

Esfregue os olhos e leia: está na hora de mudar tudo o que você pensava sobre aquela célebre passagem bíblica que mostra como um israelita nanico venceu o musculoso gigante filisteu.

"Davi e Golias", mais recente obra de Malcolm Gladwell, vem tornar real um incrível disparate.
Os livros de Gladwell costumam ser encaixados na categoria de "não-ficção", mas são sempre atrativos para quem gosta de histórias também.

Ele é um ótimo entrevistador e pesquisador de fatos históricos, que reconstrói em narrativas para ao mesmo entreter e funcionar como exemplos claros dos fenômenos que deseja debater.

Davi é que era favorito? A explicação parece surpreendente quando não conhecemos alguns rudimentos da técnica militar.

Na guerra antiga, havia três tipos distintos de guerreiros: o de infantaria, o de cavalaria e o de projéteis (que no futuro passaria a ser chamado de "artilharia"). Como num jogo de papel, pedra e tesoura, cada tipo domina um dos outros e é dominado pelo terceiro.

Com lanças, armaduras e mobilidade, a infantaria resiste bem à cavalaria. A cavalaria, por sua vez, derrota a artilharia, que não tem tempo para fazer mira diante dos velozes deslocamentos dos animais. E a artilharia, à distância, bate com facilidade a lenta infantaria.

Somos levados a pensar que um combate mano a mano deva ser "naturalmente" realizado de igual pra igual, ambos os lutadores com as mesmas armas. Mas isso seria um esporte, não uma guerra.

O fato é que Davi era o artilheiro contra um enorme alvo de infantaria. Golias tinha tantas chances contra ele quanto um bom guerreiro armado com uma espada teria contra um adversário portando um revólver.

É claro que esse episódio histórico permanecerá como alegoria das vitórias criativas dos mais fracos. Gladwell conduz seu livro com esse enfoque, contando, por exemplo, a ascensão artística dos jovens impressionistas franceses — Renoir, Manet, Cézanne, etc. — que enfrentaram o poderoso e tradicionalista Salon de Paris, onde eram segregados, criando uma galeria própria, pequena, mas em que eram eles os notáveis.

Sobre uma situação mais moderna, e relevante para todos os jovens que estão para entrar na universidade, Gladwell demonstra que é melhor você se destacar numa instituição de segunda linha do que sofrer para acompanhar os colegas numa de primeira linha. Isso é comprovado por numerosos dados de desempenho dos estudantes, mesmo depois de concluído o curso. Às vezes pode ser melhor entrar numa faculdade Davi do que numa faculdade Golias.

Para terminar, o livro ainda descreve longamente a "arma dos mais fracos" em tensas situações sociais, como o ativismo negro dos anos 1960. Conta a história do pastor Wyatt Walker, praticamente um pioneiro em explorar a mídia nascente, ao organizar provocações durante os manifestos para que a polícia agisse com brutalidade e os relatos chamassem a atenção do país inteiro para os problemas que viviam.

Atitude, aliás, reforçada pelo próprio Martin Luther King, que chegou a criticar um fotógrafo da revista "Life" por ter deixado sua câmera de lado para ajudar um manifestante ferido: "O mundo não sabe que isso aconteceu porque você não fotografou".

E tem muito mais neste livro moderno, de leitura agradável e bastante informativo. Recomendo a leitura.
O copo está pela metade? O otimista o pega e bebe a água. O pessimista o entorna e despeja tudo no chão.
FICÇÃO
Prólogo do romance inédito
A ELITE LUGGNAGG

Lá de dentro da casa soava uma ladainha. Vinha num murmúrio insistente, interrompido às vezes por uma cadência de palmas. As malas enormes estavam todas já no alpendre.

O menino havia se recusado a participar daquilo e esperava cabisbaixo, sentado na calçada, as perninhas estendidas. Olhava para as casas vizinhas, tão ensolaradas e cheias de amigos. Seu coração sentiu uma ternura até pelo mais indócil daqueles moleques.

O ruído lá de dentro cessou e os convidados começaram a sair pela porta da frente. Alguns vinham com os olhos vermelhos, mas a maioria apenas sustentava as feições severas. Dois deles abaixaram-se para afagar o menino, que se encolhia ostensivamente em defesa. Os que vieram em seguida resolveram não incomodá-lo. Foram todos caminhando, subindo ou descendo a rua, enquanto aparecia, provinda do portão baixo da casa ao lado, a doce menina que era sua vizinha desde sempre.

Em seu porte de garota um pouco mais velha, ela chegou com brandura e ajeitou-se no chão da calçada, a seu lado. Ele simuladamente relaxou os músculos do rosto vermelho.

— Estava chorando?
— Não — ele respondeu depressa.
— Volta para visitar a gente?

A resposta demorou bastante tempo, mas a menina não desistiu até ouvi-la:

— Nunca mais.
— Por quê?

— Porque a gente não pode. A gente tem que viajar para longe e não voltar mais.

Insuficientemente madura, ela se calou. Manteve-se ali em expectativa, aguardando até que ele quisesse ou pudesse lhe dizer mais alguma coisa. Quando percebeu que vinha alguém lá de dentro, achou melhor se despedir:

— Vou sentir sua falta. Mamãe também. Se conseguir, venha um dia.

Ele já sozinho, o pai se aproximou em seguida. Olhou-o primeiro bem do alto, e então se agachou para sentar-se ao lado do filho, as pernas grandalhonas mal esticadas, sem o jeito de garoto.

— Meu querido, você já tem condições de entender grande parte de tudo isso. Nós somos diferentes. Você ainda não, mas eu, sua mãe, seu avô, nós não podemos continuar. A situação vai ficando difícil. Já faz mais de dez anos que moramos aqui...

O menino acenou com a cabeça, demonstrando suficiente ciência da explicação.

— Você acha que não terá novos amigos lá também? — continuou o pai.
— Não tenho muitos amigos mesmo.
— Mentira. Claro que tem.
— Não são legais comigo.
— Você só é um pouco mais sensível e pensa que não. Molecada é desse jeito, um fica aprontando com o outro, mas no fim são sempre amigos.
— Eu sei — experimentou com diplomacia. — Eu me viro.
— Sabia de uma coisa? Lá você vai ter amigos como nós. Você não vai precisar se separar deles.
— Eu não estou triste porque vou me separar dos meninos aqui da rua.
— Então está triste por quê?
— Porque eu sei que eles todos vão morrer muito jovens.

O AUTOR
Paulo Santoro escreve ficção para o leitor que pensa. Seu primeiro trabalho a entortar cérebros foi O canto de Gregório, espetáculo teatral dirigido por Antunes Filho. Seus textos desafiam as fronteiras da lógica para fazer uma síntese das grandes ideias que movem o ser humano.

Outros três textos de sua autoria já foram levados aos palcos. Teve duas peças publicadas em livro pelo Sesc de São Paulo e participou da equipe de roteiristas da série Sessão de Terapia, exibida pelo canal GNT com direção de Selton Mello. 
Depoimento

Paulo Santoro tem a capacidade e o talento de aliar aspectos estilísticos tradicionais da dramaturgia considerada clássica, com objetos de discussão extremamente contemporâneos. É um arquiteto amante da palavra e do pensamento.

Eric Lenate, diretor de Teatro
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Vencedor de PLAY

Na promoção de um exemplar autografado de PLAY, o vencedor foi Rui Xavier, que receberá em casa um exemplar (autografado pelo autor Ricardo Silvestrin) desse ótimo livro de contos, que foi resenhado na newsletter n. 1.
Está pra chegar o VLOG!

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