Assunto: A Felicidade é por comparação?

Esta é a edição n. 6 do correio mensal de Paulo Santoro.
Peça para o programa EXIBIR IMAGENS, ou clique aqui para ver online.
Nesta edição de n. 6 do meu correio mensal, envio a vocês uma breve reflexão, baseada em pesquisas sociais e psicológicas, sobre o impacto que nossa Felicidade recebe de diferentes condições externas. Podemos ser mais felizes se tivermos maior consciência de nossa natureza.

Em seguida, mostro um conto de minha autoria e ofereço um vale de R$40,00 na Livraria Cultura — leia no final como fazer para participar!
"Chega! Eu não quero mais aprender!" E matou-se.
REFLEXÃO
Felicidade por comparação

Um interessante livro que analisa a FELICIDADE nos diferentes países do mundo mostra como é importante uma sensação de equilíbrio social.

Os pobres de Honduras, por exemplo, consideram-se MAIS felizes que os pobres do Chile, mesmo ganhando menos da metade e vivendo num país menos desenvolvido!

Isso ocorre porque os pobres hondurenhos se comparam apenas localmente, onde não estão tão afastados da média, enquanto os chilenos pobres percebem que estão bem mais distantes dos compatriotas mais abastados.

Esse fenômeno não ocorre apenas entre os pobres. Lembro de um estudo que pedia para as pessoas compararem as seguintes situações:

a) Eu ganho 10 mil reais por mês, e todos os meus vizinhos ganham 7 mil.
b) Eu ganho 13 mil reais por mês, e todos os meus vizinhos ganham 16 mil.

A maioria preferiu a situação a, ganhando menos do que na situação b, porém em vantagem na comparação com os vizinhos.

Recordo-me ainda de outro estudo interessante, que mostrava que o impacto do dinheiro na felicidade das pessoas ia diminuindo com o aumento da renda. Quer dizer, aumentar a renda de 1 mil para 2 mil faz uma imensa diferença, mas de 20 mil para 40 mil não é a mesma coisa. Se não me engano, a felicidade parava de subir quando a renda chegava a algo como 10 mil reais por mês.

Eu penso que, assim que desenvolvemos uma consciência dessa nossa natureza, podemos superá-la e aumentar nossa felicidade apesar das adversidades.
Não condene o erro de uma pessoa antes de tentar educá-la. O mundo será melhor se nos ocuparmos de esclarecer antes de acusar.
FICÇÃO
Diálogo na antessala das armas *

Na praça de guerra, o general Azul e o general Vermelho caminham diante de seus batalhões preparados para o sangue. Sob o sol claro, dão-se as mãos e se sentam em duas cadeirinhas improvisadas, separadas por uma mesa metálica.

— Compreenda — explica Azul —, eu tenho mais homens. São 1651 azuis contra 1240 vermelhos — confere em seu smartphone, que já sincronizara em wifi com os chips em cada um dos soldados presentes. — Segundo a teoria geral das batalhas campais, serão mortos 815 vermelhos antes da rendição, contra 834 azuis: números maiores, é claro, mas em proporção menor. Sobrarão 817 de meus homens contra 425 dos seus, completamente desmoralizados.

— Existe uma margem de erro... — tentou intervir o Vermelho.

— Sem dúvida há uma margem de erro estatístico — completou Azul —, e faço questão de deixá-la totalmente em seu favor. Vou até arredondar para o seu lado, dizendo que sobrarão 800 dos meus homens contra 450 dos seus. Ainda assim, uma vitória incontestável. A solução para evitar todas essas mortes desnecessárias, uma vez que sabemos o resultado da batalha, é que você conceda, aos vermelhos que morreriam, um exílio com todas as honras, enquanto farei o mesmo com os meus “mortos”. Depois você levará seus sobreviventes a um trabalho de recuperação pela derrota e pela perda dos companheiros. Ao mesmo tempo, desocupa o território que desejamos, onde irei com meus sobreviventes festejar a conquista.

— Sua matemática está correta — assentiu o general Vermelho. — Os números é que não estão. Os chips indicam, sim, a quantidade de indivíduos presentes. Mas os guerreiros vermelhos são mais bem preparados do que os azuis. Isso foi confirmado pelos testes descritos em CARRYSON, G. H., As habilidades médias dos soldados azuis e dos soldados vermelhos, Colour Militar Journal, v.4, n. 11. Pela conclusão, um soldado vermelho equivale, em média, a 1,57 soldado azul. Sendo assim, equivalemos a 1946 dos seus soldados. A partir dessa correção, basta aplicar a mesma matemática que você usou e teremos nossa vitória, a ser celebrada em nosso próprio território.

O general Azul ouviu os brados sanguinários vindos de suas fileiras, mas replicou ao colega vermelho com serenidade:

— Tem razão até esse ponto. Eu mesmo poderia ter mencionado esse fato, mas tentei simplificar a discussão para resolvermos logo a batalha. Afinal, o general sabe que os soldados vermelhos desenvolveram melhor suas habilidades pessoais com o objetivo de compensar a clara superioridade das armas azuis. Elas são mais mortíferas, caso fossem usadas, e mais resistentes. Aplicando esse fator, teremos...

E então, após duas horas de um cruento combate de frações e grandezas, e da disposição acalorada de bárbaros argumentos, um dos lados, finalmente envergonhado, resolveu aceitar a infâmia da derrota. Após os cumprimentos, a continência e demais dignidades, o general vencido viu se aproximar um comandante de batalhão que tentou recorrer, dizendo que o resultado havia inflamado de tal forma seus homens que agora eles estariam muito mais propensos à vitória do que antes:

— Não é o suficiente — replicou seu superior, em lamentação. — Esse fator foi calculado também.

Tristes por não terem morrido, centenas de soldados derrotados foram encaminhados para a reserva compulsória, dando entrada no Sistema de Suposto Falecimento em Combate.


(*) Conto do futuro livro A temperatura e a matemática dos sonhos.
VLOG
MEUS VÍDEOS

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O AUTOR
Paulo Santoro é um autor civilizatório. Seu primeiro trabalho a mergulhar na evolução moral do ser humano foi O canto de Gregório, espetáculo teatral dirigido por Antunes Filho. Seus textos desafiam as fronteiras da lógica para fazer uma síntese das grandes ideias que movem a humanidade.
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